Parque Nacional Chapada dos Guimarães - MT

Edu_Issa March 20th, 2004

Os enormes paredões avermelhados da Cidade de Pedra - Foto: Eduardo IssaO paraíso está ameaçado??? Quando o visitante se aproxima dos enormes paredões avermelhados que compõem o cenário da Chapada ele fica um pouco assustado com a estrutura turística que o governo do estado implantou nas bordas do Parque Nacional. O complexo da Salgadeira ficou fora dos limites da unidade e recebe nos finais de semana centenas de turistas que deixam ali restos de alimentos, latas, garrafas e muito lixo. Aos poucos, eles também invadem outros pontos preciosos da região como o Rio Paciência. A direção do parque e também alguns voluntários têm feito campanhas intensas de conscientização e educação ambiental para que este tipo de visitante mude sua conduta ou não chegue às outras atrações.

A energia que muitos atrai - Foto: Eduardo Issa

Em 1872, quando os primeiros exploradores chegaram por aqui, estavam em busca de terras férteis. Atualmente, os “exploradores modernos” vêm atrás da energia, das belezas naturais e do esoterismo que envolve esta localidade. Ao contrário do que muitos pensam, a Chapada dos Guimarães é uma cidade e não só uma região, como é o caso das outras Chapadas, a dos Veadeiros, em Goiás e a Diamantina, na Bahia. O motivo de atrair esotéricos e também pessoas com diferentes filosofias de vida se deve à localização, ou seja, a Chapada está a alguns metros do centro geodésico da América do Sul, o ponto central entre os oceanos Atlântico e Pacífico.

Cachoeira Véu da Noiva - Foto: Eduardo IssaJá dentro dos limites do parque, é fácil ver porque a Chapada dos Guimarães teve seu rápido reconhecimento nacional e internacional como um dos melhores destinos de ecoturismo no Brasil. Ao lado da sede administrativa, você vai se impressionar com uma das mais belas cachoeiras do país. O Véu de Noiva é uma queda de 86 metros, que despenca no meio de um vale verde com paredes rochosas, onde o sol se põe e tinge as paredes em tons vermelho-alaranjados. O acesso à cachoeira é bom e conta com escadas, corrimões e boa sinalização. Qualquer turista, de crianças aos mais velhos, pode curtir este espetáculo da natureza.

Para os mais aventureiros, seguindo adiante na trilha do Véu, por cerca de 1.200 metros por entre árvores retorcidas e algumas plantas medicinais, uma seqüência de cachoeiras refresca a alma dos trilheiros. Cachoeira do Pulo, da Prainha, das Andorinhas, da Independência… difícil é dizer qual é a mais gostosa. Além de todas estas quedas, a Chapada ainda abriga muitas nascentes como o Rio Coxipó e Mutuca, que abastecem o Rio Cuiabá, um dos responsáveis pelo ciclo de vida do imenso Pantanal.

Morro São Jerônimo - Foto: Eduardo Issa

Seguindo por outras bandas do parque, após percorrer 19 km por estradas de terra, uma cidade imaginária desponta no alto dos morros, é a Cidade de Pedra, onde grandes escarpas foram esculpidas pela ação dos ventos e das chuvas por milhões de anos. Ali está também o Paredão do Eco, onde as vozes se ecoam pelo vale rochoso.

Quando se caminha pelos campos ou pelas veredas de buritis, é difícil tentar imaginar que esta região há milhões de anos atrás já foi coberta de gelo e mais alguns milhões de anos a frente tornou-se fundo do mar. É fácil comprovar estas teorias, pois no alto do Morro do São Jerônimo, uma caminhada de 2 horas e meia partindo do Véu, é possível encontrar fósseis de conchas do mar. A paisagem mudou novamente com a subida da Cordilheira dos Andes, época em que o Pantanal se aprofundou fazendo com que a chapada se elevasse.

O exótico Araçari - Foto: Eduardo Issa

Voltando ao São Jerônimo, a vista do topo compensa toda e qualquer gota de suor despejada no caminho. A vista é magnífica, mas só suba se estiver habituado a longas caminhadas. Por vários pontos da chapada você encontra mirantes de tirar o fôlego, e pelas trilhas, a flora e a fauna despontam confirmando a grande riqueza do cerrado brasileiro. Pela manhã ou no cair da tarde, araçaris, araras, anus e outras espécies colorem o céu e as árvores do lugar. Há também tamanduás, lobos-guará e quatis, mas a chance de vê-los perambulando pelas redondezas é bem vaga. Os animais estão cada vez mais afastados dos locais mais freqüentados.

No entorno do parque, distante 40 km da cidade, no meio de plantações e de grandes fazendas, surge a Caverna Aroe-Jari, a maior caverna de arenito do Brasil. A caverna, com vários salões e grandes bocas de entrada, também abriga a belíssima Lagoa Azul, com águas cristalinas em tons azulados e que, com os raios solares refletidos proporcionam um espetáculo único.

A caverna já foi fechada uma vez pelo CECAV, órgão do governo responsável pela proteção e manejo de cavernas, por mal uso e degradação dos visitantes. Neste mês, ela acaba e ser reaberta e esperamos que seus futuros visitantes tenham mais consciência e cuidado para que esta maravilha possa ser vista pelas gerações futuras e que isto valha também para toda a região da chapada. Quanto à frase da primeira linha, o paraíso não está ameaçado, ele só está começando a ser descoberto, mas precisa ser preservado.

Partindo para o Parque Nacional dos Pacaás Novos

Comments RSS

Deixe aqui seu comentário!