Parque Nacional de Ubajara - CE

Edu_Issa September 25th, 2005

Para quem não quer fazer trilha que leva até a gruta,  o teleférico vence o desnível com uma bela visão da serra - Foto: Eduardo Issa

O parque que levava o título de menor do Brasil já não ocupa mais este lugar. A ampliação da unidade ocorreu em 2002 e está sendo efetivada agora, dos 563 ha passou a ter 6.288 ha, ocupando agora o posto de terceiro menor.Apesar dos módicos números, o parque de Ubajara esbanja beleza, por cima e por dentro das rochas. A extensa Serra de Ibiapaba, está entre as maiores do ordeste e apresenta escarpas que segue percorrendo grandes extensões da paisagem cearense. Na região do parque, a serra é composta pelos remanescentes da Mata Atlântica e a paisagem demonstra com clareza a ransição entre a mata e o sertão, tornando a vista ainda mais impressionante.

No início da trilha uma das mais belas vistas do parque está no mirante - Foto: Eduardo Issa

Do local de partida do teleférico, a visão do majestoso aredão parece um quadro, os bondinhos do teleférico dão movimento a esta pintura e leva os visitantes até a entrada da gruta, vencendo o desnível de 26 metros. O percurso leva cerca de 3 minutos e de dentro do bondinho a mata e os rochedos dividem o cenário, no fim da descida a entrada da gruta está a poucos metros. Ao lado da partida, algumas árvores frutíferas estão na rota dos macacos-prego, para vê-los é só coincidir sua visita com o horário dos traquinas, o que não é fácil. Os mocós, uma espécie de roedor, também circulam pelas estruturas do teleférico, o silêncio é a melhor forma de observar estes animais. Para os mais dispostos, a melhor opção é fazer a caminhada em direção à gruta, o circuito é autoguiado e leva cerca de 3 horas.

Na trilha que leva à gruta, a imponente cachoeira do Cafundó - Foto: Eduardo Issa

Não tenha pressa, você pode curtir todas as paradas com um tempo de descanso. No percurso você tem chance de ver bromélias, samambaias e árvores de grande porte. Por toda a trilha há placas muito bem feitas, talhadas em madeira, mostrando o nome das árvores e outras informações interessantes. A primeira parada já mostra que valeu a pena fazer a caminhada, no mirante você vai ter a melhor vista da Cachoeira do Cafundó e também da Serra de Ibiapaba. Mais adiante, você segue por uma pequena estrada de pedras e pode cruzar com moradores de Araticum, que percorrem diariamente este trecho, levando alimentos como o capote (galinha d`angola), rapadura, frango caipira entre outros, para serem vendidos no mercado da cidade de Ubajara. Os
alimentos são levados em cestos nos jumentos, estes animais de resistência inigualável e que estão presentes em todo nordeste.

A gruta de Ubajara é o seu maior atrativo, apenas uma parte dela está aberta a visitação - Foto: Eduardo Issa

Na volta da cidade os moradores ainda trazem suas compras para o consumo da semana. Mais alguns etros é hora de se refrescar na cachoeira do Cafundó e renovar as energias para seguir trilha abaixo. O caminho segue pelas pedras colocadas por antigos exploradores, entre as sombras das árvores, cruzando pequenos rios té atingir a entrada da gruta. A parte boa é saber que a volta, depois de conhecer a gruta, será pelo teleférico e sem o menor esforço, curtindo o visual da subida. A gruta de Ubajara é conhecida desde o século 18, quando os portugueses fizeram expedições nesta região em busca de minérios que nunca foram encontrados. Ainda bem, pois só assim as belíssimas formações entro da gruta continuam ali. Na verdade, a gruta já sofreu muitos danos e depredações, feitas por habitantes da região, que faziam romarias e deixavam pichações nas paredes e quebravam estalactites e outras formações para levar de recordação. Só com a criação do parque, que ocorreu em 1959, este grande patrimônio ficou resguardado, mas a ação destes vândalos ainda pode ser vista na entrada e em outros locais da gruta. É incrível, mas nos dias de hoje ainda há visitantes mal educados, que jogam lixo por toda parte, em locais de difícil acesso, dificultando o trabalho de limpeza dos funcionários.

O local conhecido como Janeiro está na área ampliada do parque e mostra a transição da mata Atlântica para o sertão - Foto: Eduardo Issa

Dentro da gruta, numa trilha de 1.120 metros de extensão, onde apenas 420 metros são iluminados e estão abertos à visitação, é fácil perceber porque estas formações atraem tantos turistas, a cada passo o guia mostra imagens, desenhos e figuras que foram se formando por milhões de anos e se transformaram nesta galeria de arte da natureza. Algumas salas da gruta se destacam, como a da rosa de das cortinas, os holofotes colocados em locais estratégicos ajudam na visualização e permite caminhar com segurança.

A visita à gruta só pode ser feita acompanhada de um guia, assegurando a integridade do lugar. Para Gilson Motta, chefe da unidade, o objetivo agora é descobrir e adequar os atrativos que estão presentes na área ampliada, além de fazer a regularização fundiária dos moradores. Alguns destes locais como o Janeiro, precisa de poucas mudanças para receber visitantes, um conjunto de rochas é um mirante natural pronto para receber aventureiros. Atualmente, mesmo com uma pequena área aberta a visitação, o parque de Ubajara está entre os parques que mais recebem visitantes no Brasil.

Apesar do bom andamento da unidade, seria interessante se houvesse uma ampliação do horário de funcionamento do teleférico (administrado pelo Estado) que encerra às 14 horas, horário incompatível com o número de turistas que chega no período da tarde e não podem fazer o passeio no teleférico, pelo menos nos finais de semana e no período de férias. Assim, mais pessoas poderão se encantar com as belíssimas paisagens deste oásis encontrado no meio do sertão cearense.

Seguindo para o Parque Nacional de Jericoacoara

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