Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque - AP/PA
Edu_Issa April 15th, 2005

Colossal, gigantesco, impressionante, tentar achar um adjetivo que defina a magnitude do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, no Estado do Amapá e um pouco do Pará, provavelmente não será compatível com seus números. Numa área de 3.867.000 ha, maior que vários países da Europa, a unidade foi criada em 2002, assegurando a preservação deste que atualmente se transformou num dos maiores patrimônios naturais da Amazônia e recebeu os títulos de maior unidade de conservação do Brasil e a maior área protegida de floresta tropical do mundo.

Os acessos ao parque são complicados, somente por via fluvial ou via aérea, que tem sido a forma mais utilizada pelos funcionários. Seguindo com voadeiras pelos rios é necessário enfrentar corredeiras perigosas que dificultam ainda mais o caminho. Por via terrestre, se chega nas bordas da unidade no município de Serra do Navio distante 65 km do parque, uma cidade com poucos habitantes e arquitetura peculiar que teve seu auge nos anos 80 e 90 com a exploração de manganês, onde a produção era escoada pela ferrovia, construída especialmente para o transporte do minério.
Atualmente, o município foi abandonado por muitos moradores, mas o trem ainda circula fazendo o trecho entre Santana e Serra do Navio, passando por vários municípios, levando dezenas de moradores e alguns equipamentos para exploração de minérios. No Tumucumaque, a logística das operações envolve um bom planejamento e o apoio de Ongs, que já demonstraram total interesse na proteção destes ecossistemas.

O parque também está dentro do projeto ARPA (Áreas Protegidas da Amazônia) e conta com recursos valiosos que tem auxiliado nos primeiros trabalhos relacionados à formação do Conselho Consultivo. Durante um sobrevôo na área do parque, que durou cerca de 6 horas, percorremos apenas uma pequena parte e fiquei tentando por limites nas imagens que registrava, mas aquele longo e extenso tapete verde de copas de árvores não tinha fim. Os rios Araguari, Jari, Oiapoque e Amapari, os maiores e mais importantes, quebram a hegemonia das florestas, repletos de meandros que formam desenhos pela mata e espalham vida por onde passam.
O relevo predominante é plano, mas duas regiões são compostas por montanhas rochosas, a Serra do Tumucumaque, que dá nome ao parque e a outra é a Serra Lombarda, com montanhas um pouco mais baixas que a primeira. Segundo alguns pesquisadores do IEPA (Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá), que participaram da última expedição ao interior do parque, há muito a ser estudado e centenas ou talvez milhares de espécies da flora e fauna a serem descobertas e catalogadas.

O valor científico desta região do Tumucumaque tornou-se uma grande preocupação considerando que algumas áreas do parque estão nas fronteiras com a Guiana Francesa e numa pequena porção com o Suriname. A ausência de estradas de acesso é uma grande aliada na fiscalização e na preservação, mas o problema mais sério e comum também em outras unidades da Amazônia é o número de pistas clandestinas que alimentam os garimpos também irregulares.
Há garimpos de minérios raros como tantalita, cassiterita e urânio, mas a grande maioria é voltada ao ouro. Várias pistas já foram marcadas com coordenadas de GPS e fotografadas, mas é possível que a cada ano surjam novas pistas. Em nosso vôo, pudemos registrar algumas pistas novas que não constavam nas fotos de satélite de anos anteriores, no total já foram registradas 25 pistas. Esperamos que ações do Ibama em parceria com Polícia e exército possam coibir a ação destes garimpos que agem dentro do parque, mas fora da lei.

Com a recente resolução do Governo Federal, as aeronaves que estiverem sobrevoando a Amazônia sem se identificarem poderão ser abatidas e isto deixou a grande legião de garimpeiros de cabelo em pé. Voltando ao parque, na fronteira norte, nas margens do Rio Oiapoque está a Vila Brasil, a única comunidade de moradores, mas que tem vida própria e vivem exclusivamente do comércio direcionado aos índios franco-guianeses que vivem na Vila de Camopi, do outro lado do Rio Oiapoque.
Os índios recebem cerca de 800 Euros (mais de R$ 2.500,00) do governo francês, uma atitude impensada do governo francês que está aniquilando a cultura destes índios que não fazem absolutamente mais nada. A grande maioria dos índios não pescam, não caçam, abandonaram os trabalhos com artesanato e ainda mais grave, utilizam boa parte do dinheiro que recebem para se embebedar nos bares da Vila Brasil.
Pude presenciar alguns destes índios alcoolizados às 9 da manhã, um fato lamentável dentro do cenário exuberante do parque. Esperamos que o Tumucumaque continue com sua área intacta e preservada, longe dos garimpeiros e bem mais longe ainda da ação de madeireiros, que atualmente se tornou uma das maiores preocupações no sentido de garantir a proteção desta valiosa diversidade biológica do nosso país.
Seguindo para o Parque Nacional da Amazônia
- Diário de Bordo
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